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A importância do reconhecimento dos Espaços de Virchow-Robin

Os espaços perivasculares, também chamados de espaços de Virchow-Robin (EVR) são estruturas recobertas pela pia-máter que acompanham os vasos no seu caminho do espaço subaracnóideo ao interior do parênquima encefálico.

Os espaços de Virchow – Robin dilatados ocorrem tipicamente em três locais caratcterísticos. O tipo I aparece ao longo das artérias lentículo-estriadas entrando no gânglio basal através da substância perfurada anterior. O tipo II é encontrado ao longo do trajeto das artérias medulares perfurantes e o tipo III localiza-se no mesencéfalo. Ocasionalmente, os EVR podem apresentam características atípicas. Eles podem se apresentar com formações grandes, envolvendo predominantemente um hemisfério, assumindo configurações bizarras e efeito de massa, causando confusão diagnóstica, sendo até confundida como lesões neoplásicas.

Pequenos EVR (<2mm) são encontrados em pacientes de todas as idades e refletem uma variante anatômica. Com o avançar da idade os espaços perivasculares aumentam de dimensão (> 2mm) e na sua freqüência, podendo ocasionar sintomas clínicos, como grandes EPVs localizados no mesencéfalo podem comprimir o aqueduto de Sylvius resultando em hidrocefalia.

Alguns autores encontraram uma correlação entre EVR dilatados e transtornos neuropsiquiátricos, aparecimento recente de esclerose múltipla, lesão cerebral traumática leve, e doenças associadas com as anomalias microvasculares.

Várias condições podem ser incluídas no diagnóstico diferencial dos EVR dilatados, sendo os mais comuns:

Infartos lacunares tendem a serem maiores que o EVR e freqüentemente excedem 5mm. Infartos lacunares são geralmente localizados na parte superior de dois terços da substância perfurada anterior e dos gânglios basais. Grandes EVR são encontrados no terço inferior da substância perfurada anterior e dos gânglios basais;

Neurocisticercose na fase vesicular inicial pode simular EVR. A presença de um discreto escólex excêntrico dentro do cisto auxilia no diagnóstico correto da cisticercose, principalmente quando se utiliza a seqüência gradiente-eco balanceado;

Cistos neuroepiteliais são raras lesões benignas esféricas ou ovóides, que medem até vários centímetros de tamanho. Eles são revestidos por epitélio fino e tem conteúdo semelhante ao liquor. A diferenciação entre cistos neuroepiteliais e EVR alargada pode ser feito com segurança apenas por estudos patológicos.

Na ressonância magnética, os espaços de Virchow- Robin são vistas principalmente como estruturas bem definidas ovais, arredondadas ou tubulares, com margens lisas, usualmente medindo 5mm ou menos. A intensidade se sinal dos espaços VR são idênticos ao líquido cérebro espinhal em todas as seqüências da RM.

1 - Espacos perivasculares proeminentes tipo I - A

2 - Espacos perivasculares proeminentes tipo I - B

3 - Espacos perivasculares proeminentes tipo I - C

4 - Espacos perivasculares proeminentes tipo II - A

5 - Espacos perivasculares proeminentes tipo II - B

6 - Espacos perivasculares proeminentes tipo II - C

7 - Espacos perivasculares proeminentes tipo III - A

8 - Espacos perivasculares proeminentes tipo III - B

9 - Espacos perivasculares proeminentes tipo III - C

Referências:

1. AG Osborn. Neurorradiologia Diagnóstica. 1 ed. St. Louis , MO : Mosby – Year Book , Inc. 1994.

2. Kwee RM, TC Kwee . Virchow – Robin Spaces at MR Imaging. Radiographics . 2007, 27: 1071-1086

Dr. Guilherme G. da Silva

Radiologista

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