Mamografia
- Uma história de Sucesso e de Entusiasmo Ciêntífico
A evolução
da mamografia desde a simples radiografia de especimen cirúrgico
até os dias atuais como método proeminente de rastreamento
de câncer mamário, nos proporciona a análise
de um brilhante capítulo na história da medicina,
contemplando a visão, dedicação, entusiasmo
e ousadia científica de numerosos especialistas e sua contribuição
para o desenvolvimento de uma nova especialidade médica.
Era dos Pioneiros
Em 1913 Albert Salomon,
um cirurgião, publicou sua monografia sobre a utilidade
dos estudos radiológicos dos especimens de mastectomia,
demonstrando possibilidade de correlação anatomo-radiológica
e patológica, das doenças da mama, com evidência
diferencial de patologias benignas e malignas.
Seguiram-se trabalhos
de vulto com: Kleinschmidt, Warren, Vogel, Seabold, Gerson-Cohen,
Leborgne, Egan, Gallager, Martin, Dodd, Strax e seus colegas.
O intrigante trabalho desenvolvido nesta época, inclui
avaliação da mama e suas variações
de acordo com a idade e estado menstrual, correlação
radiológica-micro e macroscópica; já fazendo
uso em 1950 da técnica de cortes histológicos seccionais
da mama, com a renomada patologista Helen Ingleby.
Em 1949 Raoul Leborgne,
revitaliza o interesse pela mamografia, chamando a atenção
sobre a necessidade de qualificação técnica
para o posicionamento e parâmetros radiológicos utilizados,
melhorando a qualidade da imagem e possibilitando ênfase
especial para o diagnóstico diferencial entre calcificações
benignas e malignas.
Filmes especiais desenvolvidos
pela Kodak e a técnica de alta milia-amperagem, com baixa
kilovoltagem, padronizada por Robert L. Egan, conduzem a um novo
patamar de qualificação técnica.. Em 1962,
este autor relata os primeiros 53 casos de câncer mamário
ocultos, detectados em 2000 exames mamográficos.
Nesta mesma época,
John E. Martin e colegas demonstram que excelentes estudos mamográficos
poderiam ser padronizados em clínicas privadas.
O Colégio Americano
de Radiologia estabelece comitês e centros de treinamento
em âmbito nacional, este foi o embrião do Comitê
de Mamografia do ACR.
Era do Progresso
Técnico
Teve
a grande contribuição de: Gould, Wolfe, Gross e
seus colaboradores.
O
desenvolvimento da xeromamografia foi o resultado da colaboração
entre indústria e medicina. Em 1960 Howard e Gould descrevem
o aprimoramento de imagem obtido com a xeromamografia; e em 1966
John N. Wolfe, apresenta na Quinta Conferência sobre Mamografia,
na Universidade de Emory,em Atlanta, sua grande experiência
com o uso de xeromamografia; tamanho foi o interesse que o Colégio
Americano de Radiologia solicitou a Xerox, a instituição
de programa de pesquisas avançadas com o método,
com novos ensaios clínicos, com a contribuição
de Wolfe, Martin e Gloria Frankl; já naquela época,
Wolfe classificava os sinais sutis de câncer mamário
e sua relação com a densidade do parênquima
mamário.
Em 1965 Charles
Gros de Estrasborgo, França, desenvolve a primeira unidade
dedicada para Mamografia, engenhosamente este aparelho apresentava
tubo de Raios X de molibdênio com 0,7mm de ponto focal,
proporcionando elevado contraste diferencial entre parênquima,
gordura e microcalcificações; apropriado sistema
de compressão constituía complemento importante.
Gros trabalhou com grande dedicação, sempre chamando
a atenção do grande potencial da mamografia para
detecção de câncer oculto.
Era Moderna
Tivemos a contribuição
de: Price, Butler, Ostrum, Becker, Isard, Moskowitz, Sickles,
Kopans, Homer, Tabàr e seus colaboradores.
Em 1970, Price e Butler,
utilizando ecrans de alta definição e filmes industriais,
conseguem reduzir níveis de radiação, neste
aspecto a Kodak e a Dupont proporcionam grande contribuição
técnica.
Em 1974 Myron Moskowitz
e seus colaboradores, apresentam resultados preliminares sobre
rastreamento mamográfico e chamam a atenção
sobre a capacidade da mamografia em diagnosticar câncer
minimante invasivo.
Em 1977 Sickles, Kunio
Doi e Genant publicam os resultados sobre magnificação
mamográfica, caracterizando a necessidade de adição
permanente de novos dispositivos nos aparelhos de mamografia,
tamanha a sua importância. Sickles insiste no ensinamento
da necessidade de diagnosticar tumores malignos não só
pelos sinais clássicos, mas também por sinais indiretos
e menos evidentes. Já naquela época populariza o
conceito da unidade móvel de Mamografia em Vans.
Em 1976 Frank, Ferris
e Steer, descrevem sistema de marcação pré-operatória
com agulhamento metálico de lesões não palpáveis
na mamografia, e em 1980 Kopans e DeLuca descrevem sistema aprimorado
deste método, as agulhas utilizadas atualmente recebem
o nome de agulhas de Kopans.
Em 1985 László
Tabár e colaboradores descrevem os resultados obtidos com
rastreamento de 134,867 mulheres, entre 40 e 79 anos, com uma
única imagem obtida em posicionamento oblíqua-medio-lateral,
verificaram uma redução de 31% de mortalidade. Tabár
desenvolve incansável operosidade científica, com
inúmeras publicações, conferências
e cursos; proporciona ensinamentos sobre epidemiologia, rastreamento,
diagnóstico precoce e estabelece novos conceitos em correlação
clínico-radiológico-patológico, com avaliação
sistematizada de cortes seccionais de especimens e achados mamográficos..
Adicionalmente inúmeros
outros radiologistas devotam sua grande experiência no ensino
e divulgação da Mamografia, relacionando: Eklund,
Feig, Logan, Alcon, e Paulus.
Ainda, deveríamos
relacionar, centenas de outros proeminentes radiologistas, de
vários países, incluindo o Brasil, com incansável
trabalho em pesquiza e ensino desta apaixonante especialidade.
Esta sem dúvida será uma outra história com
características e detalhes próprios.
O rápido desenvolvimento
de novas modalidades para imaginologia mamária constitui
desafio constante para o aprendizado e direcionamento de recursos.
Os pioneiros da mamografia
merecem nossa gratidão, pela visão, idealismo e
capacidade inventiva. O Dia Nacional da Mamografia só foi
possível graças a eles.
Ao comemorarmos
o Dia Nacional da Mamografia, devotamos um grande reconhecimento
a todos os especialistas brasileiros que se dedicam com tecnologia,
devoção e carinho na implantação deste
método que trás um grande impacto em saúde
pública.
Dr.
José Michel Kalaf
Diretor da Radiologia Clínica de Campinas
Coordenador do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia