Mamografia - Porque fazer - Quando fazer?

A evolução do tratamento conservador do câncer de mama, foi diretamente relacionada ao desenvolvimento das modernas técnicas de diagnóstico mamário; influenciando decisivamente para a redução da mortalidade e da morbidade.

O especialista em imaginologia mamária está qualificado para diagnosticar os tumores invasores e as lesões in situ, estas, cada dia, estatisticamente com diagnóstico mais freqüente, decorrente do uso sistemático da mamografia como método de rastreamento.

Graças a proximidade e consolidada integração multidisciplinar com o mastologista e o patologista, aumentamos a possibilidade de análise e conhecimento com relação a multifocalidade e multicentricidade, demonstrando que estas condições são mais freqüentes do que previamente esperado; estabelecendo um consenso, afim de que decisões delicadas possam ser aplicadas com sucesso em numerosos pacientes.

A determinação clínica para indicação de cirurgia conservadora mamária é dependente dos achados de imagem; tão importante como fazer um diagnóstico de tumor maligno, é também avaliar sua extensão; assim a terapêutica loco-regional, está diretamente relacionada ao estadiamento da doença, além do objetivo maior de controle terapêutico, outros dados são obtidos para formulação de prognóstico e tratamento complementar. Tanto a mortalidade como a morbidade, nos estágios iniciais, são reduzidas e o resultado cosmético é altamente compensador, favorecendo a auto-estima feminina.

Nosso objetivo é o diagnóstico de carcinoma que passa despercebido aos métodos de exame físico e ao auto exame, corresponde a tumor clinicamente oculto, pequeno demais para ser palpável, geralmente menor do que 1 cm de diâmetro; corresponde a tumor com grande potencial para cura e muito favorável para tratamento conservador. A mamografia é o método diagnóstico de escolha, realizada anualmente, permite a detecção precoce destas lesões.

A diminuição da mortalidade do câncer de mama, está diretamente relacionada ao tremendo esforço científico consubstanciado em quarenta anos de pesquisas com a evidente conclusão de que o rastreamento mamográfico, nos países onde está devidamente implantando, é fator decisivo para redução da mortalidade do câncer de mama em até 32% das pacientes entre 40 e 70 anos que participam destes programas controlados. Verificou-se também que quanto mais jovem é a paciente, mais agressivo costuma ser o tumor.

O Colégio Brasileiro de Radiologia e a Sociedade Paulista de Radiologia, recomendam, com ênfase, mamografia anual a partir dos quarenta anos, esta posição esta alicerçada em estudos baseados em evidência de que a mamografia salva vidas, pela detecção precoce.

Estudos bem documentados evidenciam que o diagnóstico precoce, para salvar vidas, com rastreamento mamográfico anual, deve incluir pacientes a partir dos QUARENTA ANOS. Temos um grande avanço neste sentido, pois no Brasil até lei específica existe, que é a de número 11664/2008.

Qualquer outra afirmativa em contrário somente serve para confundir o público e colocar em risco a vida das mulheres que merecem devidamente atenção qualificada para diagnóstico mamário.

Os dados de exame físico, os informes clínicos e o histórico pessoal e familiar de cada paciente, em adjunto com a Mamografia, tem se revelado como sistemática ideal para rastreamento em larga escala e a ultrassonografia sendo o método complementar de escolha .

Entretanto alguns tumores, podem passar despercebidos ao exame mamográfico, devido a fatores técnicos, lesões tumorais atípicas ou aumento difuso da densidade mamária dificultando a individualização de lesões dominantes.

O rápido desenvolvimento de novas tecnologias de imagem resulta em crescentes desafios para definição exata do direcionamento de recursos visando a melhor aplicabilidade tendo como foco principal a paciente.

Nossa atenção profissional deve estar direcionada para o desenvolvimento e aprimoramento tecnológico em benefício do diagnóstico precoce, condicionando melhoria terapêutica com redução de mastectomias e de custos no tratamento complementar.

.
Dr. José Michel Kalaf
Diretor da Radiologia Clínica de Campinas
Coordenador do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia