Síndrome do Ressalto

A síndrome do ressalto ou do estalido, pode ou não estar associada a dor, desconforto e alterações neurológicas (mais raramente). Pode ser causada por inúmeros fatores, entre eles: anormalidades anatômicas, degenerações articulares, corpos livres, traumas, processos inflamatórios, etc.

O diagnóstico é estabelecido essencialmente pela história clínica e exame físico, como um estalido audível ou mesmo a palpação do ressalto às manobras específicas, ou reproduzido por alguns movimentos.

Ressalto do Quadril:

Pode ser produzido pelo deslocamento abrupto do tendão do m. ílio/psoas sobre a eminência íleo-pectínea ou estruturas ósseas adjacentes ( ressalto medial).

Pode ainda ser promovido pelo deslocamento abrupto do tensor da fáscia lata ou do glúteo máximo sobre o trocanter maior do fêmur ( ressalto lateral).

A radiografia simples e a ultra-sonografia são necessárias para o diagnóstico.

Ressalto da Escápula:

Crepitação palpável , audível ou não, ao nível da articulação escápulo/torácica, nem sempre patológica.

A clínica geralmente é de dor, e/ou crepitação ao movimento da escápula. A adequada avaliação anatômica, assim como assimetrias, hiper ou hipotrofias musculares, assim como distensão das bursas peri-escapulares devem ser identificadas. Tumores como os Fibroelastomas ou osteocondromas podem ser causas de crepitação.

A radiografia simples pode ser o primeiro exame a ser realizado, assim como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética podem auxiliar no diagnóstico.


Ressalto do Cotovelo:

Pode ocorrer de maneira isolada, sem dor ou sintomas neurológicos, podendo ser decorrente de várias causas , sendo frequentemente relacionado as estruturas anatômicas mediais ( ex. cubito varo com deslocamento do n. ulnar, associado ou não ao deslocamento da cabeça medial do tríceps ), ou ainda decorrentes de processos inflamatórios.

A ultra-sonografia (dinâmica) e a Ressonância Magnética ( em extensão e flexão máximas ) são os exames de escolha na avaliação destes casos.

O ressalto lateral, embora menos frequente, pode estar relacionado a instabilidade rotatória póstero-lateral, ao menisco rádio-ulnar remanescente, ao ressalto do ligamento ulnar sobre a cabeça do rádio, ou ainda ao deslocamento lateral do tríceps distal.


Ressalto do Joelho:

Devem ser consideradas as lesões dos meniscos, traumáticas ou não. O menisco lateral discóide ( geralmente tipo III ) deve ser investigado.

Outras causas como deslocamentos de tendões e tumores intra-articulares também devem ser consideradas.

Métodos de imagem como a radiografia simples, assim como a ultra-sonografia e a Ressonância Magnética são úteis no diagnóstico. A artroscopia , apesar de ser um método invasivo, pode ser utilizada.


Ressalto do Tornozelo:

Rara, podendo estar associada a subluxação ou luxação de tendões ou a corpos livres intra-articulares.

A causa mais comum é a luxação ou subluxação do tendões fibulares, com ou sem ruptura dos mesmos ( sulco fibular raso ou convexo podem existir, predispondo o ressalto). Atletas e dançarinos devem ser examinados com maior atenção.

Também a possibilidade de luxação intra-bainha dos fibulares, mantendo-se em situação retromaleolar, mas trocando de posição entre si transitoriamente.

A presença ainda de ressalto relacionado ao fibular terceiro ou ao tendão tibial posterior também devem ser lembradas.

A ultra-sonografia pode ser eficiente no diagnóstico. Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética podem auxiliar na detecção da luxação ou subluxação dos tendões.


Ressalto do Punho:

Causas possíveis de ressalto: tumores, corpos livres e deslocamentos de tendões. Como causa mais frequente, a subluxação ou luxação do extensor ulnar do carpo deve ser lembrada. Contudo, há um certo grau de aceitação da subluxação deste tendão que pode se deslocar em direção volar, até 40 % da largura do sulco ósseo na flexão do punho e em até 33 % em direção dorsal na extensão. Importante: não confundir com a subluxação da articulação rádio-ulnar distal, que pode estar presente simultaneamente.

Para diagnóstico, a ultra-sonografia pode ser o método de escolha para o diagnóstico dinâmico. A Ressonância Magnética pode revelar o processo inflamatório e o posicionamento inadequado do tendão no sulco ulnar.

Fonte: Revista da Radiologia Brasileira Volume 42. Numero 1. Jan/Fev de 2009.


Dra. Mara P. Moreira
Departamento Músculo Esquelético da RCC - Unidade I