O
Uso da Ressonância Magnética na Doença Coronária.
A ressonância magnética vem conquistando um espaço
cada vez maior na sua utilização para diagnósticos
de doenças cardíacas. Dentre estas doenças,
a doença coronariana se destaca devido à sua alta
freqüência na população.
Em apenas
um exame de cerca de 40 minutos de duração, a ressonância
pode ajudar o cardiologista a responder a três perguntas
fundamentais na investigação da doença coronária:
1. Como está
a função de contração do coração
ou como está a força global e de áreas específicas
do músculo cardíaco?
2. Existe
alguma obstrução nas artérias coronárias
que esteja prejudicando a irrigação do coração?
3. O paciente
já teve algum infarto e, caso positivo, onde ele ocorreu
e qual sua extensão?
Para responder
a primeira pergunta, o exame de ressonância cardíaca
obtém imagens do coração em diversos planos
com o músculo em movimento. São as chamadas imagens
em cine do coração onde, com altíssima resolução,
é possível ver o coração contrair
e relaxar sob qualquer ângulo. Isto permite identificar
se o coração está com sua contração
prejudicada e se existe alguma área do músculo que
bate com menor força que as demais. Em casos onde isso
ocorre, pode estar acontecendo alguma falta de irrigação
coronária, que auxilia no diagnóstico da doença
isquêmica.
Mas além
de visualizar o batimento e a contração cardíaca,
a ressonância permite também ir além e estudar
como a circulação do coração se comporta
em situações de repouso e após estimulá-lo
num exame de stress. Para isso, através da ressonância
podemos observar como ocorre a passagem do contraste – chamado
de gadolínio – nestas duas situações.
Este contraste, que possui baixíssimo risco de reação
alérgica se comparado ao contraste de rotina usado no raio-X,
por exemplo, e pode ser utilizado mesmo em pacientes com doença
renal, é injetado pela veia do paciente durante o repouso
e fica registrado como se distribui o contraste no miocárdio.
Numa segunda fase, é injetado no paciente uma substância
chamada dipiridamol que provoca a dilatação das
artérias coronárias normais mas não altera
em nada artérias com obstruções significativas.
Isto faz com que o contraste chegue mais rápido em regiões
normais, deixando regiões com obstrução com
pouco ou nenhum contraste e permitindo, assim, identificar áreas
onde possa estar ocorrendo falta de irrigação coronária.
Esta técnica, se não permite visualizar diretamente
as artérias coronárias, é altamente sensível
para detectar se existem regiões com isquemia ou não.
Finalmente,
além da contração e da visualização
da irrigação coronária, no mesmo exame e
utilizando o mesmo contraste gadolínio, ainda é
possível identificarmos se existem áreas no músculo
cardíaco que sofreram infartos anteriores. Isto é
muito importante pois permite ao cardiologista identificar infartos
silenciosos clinicamente e identificar, dependendo da área
infartada, se existe a possibilidade de revascularização
cirúrgica ou através de angioplastia. A ressonância
é hoje o método mais preciso para se detectar estas
áreas infartadas e, aliado às demais informações
acima, permite uma avaliação bastante completa do
paciente com doença coronária.
Assim, através
de um exame rápido, sem presença de radiação
e utilizando um contraste com excelente perfil de segurança,
a ressonância pode oferecer ao seu cardiologista uma resposta
completa e única sobre a doença coronária,
permitindo um aprimoramento diagnóstico e otimização
da sua terapêutica
Dr. Juliano
de Lara Fernandes
Médico
da Radiologia Clinica de Campinas
O Dr. Juliano
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