Câncer de Mama: Salvando Vidas com Diagnóstico Precoce

Em 2008 foram registrados 1.200.000 (hum milhão e duzentos mil) casos novos de câncer de mama no mundo, sendo que o Brasil teve 50.000 novos casos no mesmo período, predominando nas regiões sul e sudeste.

Este tumor é a principal causa de mortes por câncer na população feminina em nosso País, principalmente na faixa etária entre 40 e 69 anos.

Quando o diagnóstico desta doença é feito na fase inicial, o prognóstico é bom. Quanto menor for o tamanho do tumor, melhor é o prognóstico e a sobrevida da paciente.

A detecção do câncer de mama é retardada pela falta de auto-cuidado, pela desinformação e pelo não conhecimento de que a mamografia pode fazer o diagnóstico precocemente.

O conhecimento de três décadas de imagem da mama, correlacionado com fatores de risco é de pleno conhecimento da comunidade médica especializada e amplamente divulgado nos meios científicos.

Os serviços de saúde, devem concentrar seus esforços no sentido de prover a aplicabilidade da Lei 11.664 de 2008, sancionada recentemente, no sentido de assegurar a mamografia anualmente a mulheres com mais de 40 anos. Este é um grande desafio para nossos governantes, que pode ser vencido com parcerias público-privadas, tornando acessível um método diagnóstico com rotineira aplicação em âmbito nacional e que pode ser seletivamente gerenciado pelas Secretarias de Saúde Estadual e Municipal. União frutífera entre poder público e iniciativa privada em benefício de milhares de brasileiras.

Nos países onde o rastreamento mamográfico é rotineiramente realizado houve sensível diminuição da mortalidade.

A evolução do tratamento conservador do câncer de mama, foi diretamente relacionada ao desenvolvimento das modernas técnicas de diagnóstico mamário; influenciando decisivamente para a redução da mortalidade e da morbidade.

O especialista em imaginologia mamária está qualificado para diagnosticar os tumores invasores e as lesões in situ, estas, cada dia, com diagnóstico mais freqüente, decorrente do uso sistemático da mamografia como método de rastreamento.

Graças a proximidade e consolidada integração multidisciplinar com o mastologista e o patologista, aumentamos a possibilidade de análise e conhecimento com relação a multifocalidade e multicentricidade, demonstrando que estas condições são mais freqüentes do que previamente esperado; estabelecendo um consenso, afim de que decisões delicadas possam ser aplicadas com sucesso em numerosos pacientes.

A determinação clínica para indicação de cirurgia conservadora mamária é dependente dos achados de imagem; tão importante como fazer um diagnóstico de tumor maligno, é também avaliar sua extensão; assim a terapêutica loco-regional, está diretamente relacionada ao estadiamento da doença, além do objetivo maior de controle terapêutico, outros dados são obtidos para formulação de prognóstico e tratamento complementar. A morbidade nos estágios iniciais, é menor e os resultados estéticos são muito melhores.

Nosso objetivo é o diagnóstico de carcinoma que passa despercebido aos métodos de exame físico e ao auto exame, corresponde a tumor clinicamente oculto, geralmente menor do que 1 cm de diâmetro.

Os dados de exame físico, os informes clínicos e o histórico pessoal e familiar de cada paciente, em adjunto com a Mamografia, tem se revelado como sistemática ideal para rastreamento em larga escala e a ultra-sonografia sendo o método complementar de escolha.

Entretanto alguns tumores, podem passar despercebidos ao exame mamográfico, devido a fatores técnicos, lesões tumorais atípicas ou aumento difuso da densidade mamária dificultando a individualização de lesões dominantes.

No sentido de adicionar informes complementares, aos exames básicos já citados, a Ressonância Magnética Mamária, vem sendo cada vez utilizada com maior freqüência, não só para diagnóstico precoce, com análise da morfologia e cinética das lesões malignas, como também para avaliação precisa da extensão tumoral e lesões satélites.

O rápido desenvolvimento de novas tecnologias de imagem resulta em crescentes desafios para definição exata do direcionamento de recursos visando a melhor aplicabilidade tendo como foco principal o paciente.

Conhecemos as possibilidades diagnósticas e as limitações de cada método; a sistemática integração de equipamentos, dedicação profissional focada no paciente e excelência em controle de qualidade, é que nos permite contar com a moderna Imaginologia Mamária: Mamografia Digital, Ultra-Sonografia Mamária e Ressonância Magnética Mamária, como um dos grandes triunfos da Medicina.
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Dr. José Michel Kalaf
Diretor da Radiologia Clínica de Campinas
Coordenador do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia