Importância
das Técnicas Avançadas de Ressonância Magnética
para o Diagnóstico de Esclerose Múltipla.
A esclerose múltipla (EM) é uma doença imunologicamente
mediada, que em geral se manifesta em surtos e tem etiologia desconhecida.
Acomete adultos jovens, principalmente mulheres, com pico de incidência
na quarta década. Observa-se uma distribuição
geográfica peculiar, com maior concentração
da doença na Europa setentrional, permanecendo até
hoje a controvérsia sobre a participação
dos fatores genéticos e ambientais em sua etiologia.
É uma doença que leva a destruição
da mielina, e secundariamente, pode ocorrer acometimento do axônio.
Envolve os tratos nervosos longos e com freqüência
determina distúrbios visuais, motores, sensitivos, autonômicos,
cognitivos e da marcha.
O diagnóstico é baseado em dados clínicos
e auxiliado por exames subsidiários, tais como a ressonância
magnética (RM) de encéfalo e medula, o líquido
cefalorraquidiano (LCR) e o estudo dos potenciais evocados.
A Ressonância magnética trouxe grande contribuição
tanto para o diagnóstico quanto para o acompanhamento da
EM, com melhor entendimento de sua história natural e na
avaliação da eficácia de protocolos de tratamento
de estudos multicêntricos. Possibilita a visualização
do encéfalo nos planos axial, coronal e sagital e permite
a utilização de diversas seqüências,
tais como T1, T2, FLAIR, difusão e transferência
de magnetização (MCT). O emprego do agente paramagnético
(gadolínio) aumenta ainda mais a capacidade de detecção
de lesões e a visualização de áreas
de quebra de barreira hemato-encefálica.
Nas formas clássicas de EM observam-se lesões ovaladas,
de tamanhos variáveis, distribuídas na substância
branca periventricular, com um aspecto de pente ou dedos de luva
(Dawson's fingers), que é ocasionado pela distribuição
perivenular da desmielinização.Outras localizações
bastante típicas são a interface caloso-septal e
a região periventricular dos lobos temporais o que contribui
para o diagnóstico diferencial com lesões vasculares.
As lesões da substância branca apresentam hipersinal
nas seqüências pesadas em T2 e FLAIR.
Raramente, a EM pode assumir formas pseudotumorais, com grande
edema, ou cursar com hemorragias intralesionais. A quebra da barreira
hemato-encefálica ocorre precocemente no processo inflamatório
que precede o aparecimento de novas placas de desmielinização
ou a reagudização de lesões antigas, podendo
ser evidenciada por impregnação local do agente
paramagnético (gadolínio).
As seqüências apontadas como mais sensíveis
para sua avaliação são as seqüências
com pulso adicional de transferência de magnetização
(MTC), tanto pré como pós-gadolínio, que
são fundamentais para avaliação de qualquer
paciente com EM pela sua maior conspicuidade. As seqüências
T1 SE/MTC mostram as lesões com hipersinal mesmo sem gadolínio
(Gd) e a interpretação deve ser cuidadosa para alterações
mínimas do sinal que indiquem impregnação
focal.
Estudos recentes apontam para a capacidade da seqüência
de difusão em detectar precocemente as lesões agudas,
mesmo em relação às seqüências
MTC com utilização de gadolínio, mostrando
focos com hipersinal, decorrentes da presença de edema
vasogênico determinado pelo processo inflamatório.
A espectroscopia por RM também pode trazer informações
sobre as condições metabólicas do encéfalo
e ainda ser útil para acompanhamento de lesões específicas.
Estudos recentes vêm tentando utilizar estas técnicas
como MTC, difusão e espectroscopia, comparando-as com a
avaliação anátomo-patológica das lesões,
no intuito de se correlacionar as diferentes formas clínicas
da EM buscando, assim a previsão do seu curso clínico
e um melhor acompanhamento da resposta ao tratamento.
Dra. Mara
Pimentel Moreira
Médica
da Radiologia Clinica de Campinas