Paracoccidioidomicose Óssea

Blastomicose ou Paracoccidiodomicose é uma infeção de origem fúndica, endêmica na América Central e América do Sul. A blastomicose sul-americada é causada pelo Paracoccidioides brasiliensis: fungo dimorfo e aeróbico presente no solo. A doença foi inicialmente descrita por Lutz em 1908 no Brasil, sendo o comprometimento ósseo relatado por Pereira e Viana em 1911.

A doença apresenta um grande espectro de manifestaçoes clínicas:da forma focalizada ã múltipla, da evolução aguda à crônica.

A porta de entrada mais comum é o trato respiratório, afetando o parênquima pulmonar, e promovendo disseminação sistêmica por via linfática e hematogênica para um ou mais órgãos. O acometimento cutâneo é freqüente. O comprometimento osteoarticular é secundário, ocupando o terceiro local de maior freqüência, sendo relatado em até 60 % dos casos descritos na literatura. Resulta da disseminação por via hematogênica, a partir de foco sistêmico, pulmonar na grande maioria (90% dos casos). Acometimento ósseo ou articular isolado é muito raro (menos de 5 % dos casos), e deve ser comprovado pelo exame citológico, histológico e por cultura por meio de material obtido por biópsia óssea ou sinovial.

Os aspectos dos exames de imagem, a Radiografia Simples, a Tomografia Computadorizada , Ressonância Magnética e a Cintilografia óssea são inespecíficos, mas de grande importância para o diagnóstico.

É oportuno enfatizar que, diante de uma pioartrite ou de uma ostemielite, deve-se cogitar o diagnóstico de BSA, principalmente em pacientes provenientes de zona rural endêmica. O diagnóstico através do material biopsiado na histologia e/ou pelo isolamento em cultura é imprescindível para iniciar o tratamento adequado o mais breve possível, lembrando que o prognóstico costuma ser favorável.

Você poderá encontrar o artigo completo de um caso de Paracoccidiodomicose da patela na Revista Brasileira de Ortopedia – Vol, 40, N. 5 , Maio de 2005, pelos autores: Mara Pimentel Moreira, Alejandro Enzo Cassone, Wilson Mello A. Jr. Marcelo Alvarenga.

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ra. Mara Pimentel Moreira
Médica da Radiologia Clínica de Campinas