Degeneração
Olivar Hipertrófica:
Achados na Ressonância Magnética e Revisão
de Literatura
A degeneração olivar
hipertrófica (DOH) é uma entidade rara que ocorre
após lesões agudas, frequentemente hemorrágicas,
interrompendo os tratos compõem o circuito do triângulo
de Guillian Mollaret (trato dento-rubro-ollivar).
O triângulo de Guillain-Mollaret é
um circuito triangular que conecta o núcleo denteado do
cerebelo de um lado, com os núcleos rubro e olivar inferior
do outro lado, através do pedúnculo cerebelar superior
e do trato tegmental central. A DOH é causada com maior
freqüência por lesões envolvendo o trato tegmental
central, o pedúnculo cerebelar superior ou o núcleo
denteado.
A DOH manisfesta-se clinicamente por mioclonia
palatal, cursando com degeneração transneuronal
por hipertrofia do núcleo olivar inferior, localizada no
bulbo.
A tomografia computadorizada apresenta baixa especificidade
e sensibilidade para o diagnóstico desta patologia, sendo
a ressonância magnética (RM) de o método de
escolha.
Na Radiologia Clínica de Campinas (RCC),
temos três aparelhos de RM: Expert, Magneto C e Symphony
1,5 T; Siemens, Erlangen, Germany supercondutores com gradientes
elevados a partir de 30 mT.
Na RM a DOH
caracteriza-se por três distintos estágios:
A) Nos seis primeiros meses após o ictus:
hipersinal nas ponderações em T2 e sem hipertrofia
do núcleo olivar inferior (ION);
B) Seis meses a 3-4 anos após ictus: hipersinal
em T2 e hipertrofia do ION.
C) Hipersinal em T2 no ION.
Na nossa rotina preferimos as imagens multiplanares (sagital,
coronal e axial) ponderadas em T2, sendo esses achados adicionados
as demais seqüências; entre elas Dp (densidade de prótons),
Gradiente, Difusão e Flair. Não há evidências
de realce significativo após a infusão do meio de
contraste paramagnético gadolínio nesta entidade.
A correta identificação desta entidade esta relacionada
à possibilidade de afastar outras alterações
locais, podendo auxiliar no diagnóstico diferencial com
esclerose múltipla, tumores tronco cerebral (astrocitoma,
metástases e linfoma), degeneração Walleriana,
adrenoleukodistrofia, ELA, infarto bulbar e processos inflamatórios/infecciosos.
Bibliografia:
1. Anne G. Osborn et al: Diagnostic Imaging Brian
2. Harter DH et al: Hipertrophic olivary degeneration after resection
of a pontine cavernoma. AJNR 100: 717, 2004. 3. Krings T et al:
Hipertrophic olivary degeneration following pontine haemorrage.Neurol
Neurosurg Psychiatry. 74 (6) 797-9, 2003.
Dr. Eduardo Skaf Kalaf
Radiologista da Radiologia Clínica de Campinas - RCC