Mulheres
com Alto Risco para Câncer de Mama tem Benefício
Adicional com o Uso da Ressonância Magnética Mamária
Vários
estudos internacionais, realizados recentemente, confirmam esta
afirmação. O alto risco inclui mulheres de famílias
nas quais o câncer de mama é comum, mulheres com
alterações em determinados genes e mulheres que
tiveram câncer de mama no passado
Estes estudos
científicos publicados recentemente pedem por um maior
uso de exames de ressonância magnética (RM) mamária,
em mulheres com câncer de mama ou que corram risco de desenvolvê-lo.
O primeiro, um relatório da Sociedade Americana de Câncer,
publicado na revista da sociedade, CA: A Cancer Journal for Clinicians,
recomenda exames de mamografia e RM, pelo menos uma vez por ano,
a partir dos 30 anos, para mulheres com alto risco (20% a 25%
ou mais de risco de desenvolvimento de câncer de mama ao
longo da vida).
O outro estudo que teve um resultado complementar, foi publicado
no The New England Journal of Medicine e mostra que, em mulheres
recém-diagnosticadas com câncer em uma mama, a ressonância
magnética pode encontrar tumores na outra mama que podem
não ser detectados por outros métodos.
A pesquisa, do Centro Médico da Universidade de Washington,
analisou aproximadamente mil mulheres com diagnósticos
recentes de câncer em somente um seio, e não no outro.
As RM’s no segundo seio encontraram possíveis tumores
em 121 mulheres, e as biópsias confirmaram câncer
em 30 delas.
Para o médico especialista em Radiologia, José Michel
Kalaf, diretor da Radiologia Clínica Campinas, coordenador
do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia e Membro
da Comissão de Mamografia do Colégio Brasileiro
de Radiologia, embora as recomendações não
se apliquem à maioria das mulheres saudáveis, que
possuem apenas um risco médio de desenvolver a doença,
os estudos são importantes porque apresentam para as mulheres
uma arma essencial na procura por tumores, antes não diagnosticados
por falta de tecnologias. “A RM possibilita análises
mais eficazes por mostrar fluxos sanguíneos intensos ou
anormais no seio, sinal de câncer em estado recente, que
pode não ser detectado pela mamografia; e o diagnóstico
precoce, quando o assunto é câncer de mama, evita
menos mutilações e possibilita quase elevada de
chance de cura”, explica Kalaf, que é um dos pioneiros
na implantação da RM mamária no Brasil.

Exame de RM mamária. Utilizando cortes muito finos, com
alta resolução, podem ser obitdas imagens detalhadas
que possibilitam análise morfológica e funcional
das lesões.
Atualmente,
a mamografia é a principal modalidade de exame de imagem
para detecção de tumores malignos da mama. “Contudo,
existem limitações deste método, principalmente
em pacientes com mamas operadas, irradiadas ou com inserção
de implantes (ou próteses) de silicone”, aponta o
médico.

Nestas condições,
a ultra-sonografia e a ressonância magnética constituem
métodos complementares importantes. “Nas últimas
duas décadas, a ressonância magnética mamária
(RM) teve excepcional aprimoramento técnico através
da introdução de contrastes paramagnéticos,
avanços nas bobinas de superfície, novos protocolos
de realização de exames e aparelhos de alto campo”,
completa.

A indicação
de RM deve ser clara – apenas para mulheres com alto risco
de câncer, pois é sensível demais - muito
mais do que a mamografia - e revela todo tipo de nódulos
suspeitos na mama, levando a muitos exames repetidos e biópsias
para situações que revelam ser benignas, onerando
os custos da saúde. Para mulheres que apresentam probabilidade
de possuir tumores escondidos, a perspectiva de tais falsos positivos
pode ser aceitável. Mas o risco de biópsias desnecessárias
e exames adicionais não é considerado razoável
para mulheres com risco apenas médio de câncer de
mama, o principal motivo para a RM não ser recomendada
para elas, de forma rotineira. O alto risco inclui mulheres de
famílias nas quais o câncer de mama é comum,
especialmente entre parentes próximos, mesmo que nenhuma
mutação genética tenha sido identificada.
O grupo ainda soma mulheres com tecido muito denso na mama nas
mamografias e mulheres que tiveram câncer de mama no passado.
Dr.
José Michel Kalaf
Diretor da Radiologia Clínica de Campinas