Endometriose Pélvica

A endometriose é uma patologia definida pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Acomete principalmente mulheres em fase reprodutiva, faixa de 25 a 29 anos. O quadro clínico caracteriza-se por infertilidade, dor pélvica crônica, disparêunia (dor durante o ato sexual), dismenorréia intensa (cólica menstrual), dor lombar e desconforto retal. Sintomas incomuns ocorrem quando existe doença em locais atípicos como trato gastrointestinal (diarréia, sangramento retal, constipação), bexiga (urgência miccional, hematúria), tórax (dor pleurítica, derrame pleural, pneumotórax) e sistema nervoso central (cefaléia, convulsões, hemorragia subaracnóidea). Pode ainda acometer mulheres abaixo dos 20 anos de idade (sendo a dor pélvica crônica o principal achado clínico) e mulheres menopausadas, geralmente em uso de reposição hormonal.Ciclos menstruais menores que 28 dias se apresentam como única característica menstrual significativamente associada ao quadro.

A patogênese da doença mais aceita atualmente é a implantação de células endometriais ectópicas devido a um fluxo menstrual retrógrado. Porém a endometriose não representa simplesmente uma resposta ao endométrio ectópico, mas um quadro complexo, resultante da reação inflamatória e do ambiente imunológico alterado.

O aumento de sua incidência está associado à melhor acurácia diagnóstica: como avanço da Ultra-sonografia (US), Videolaparoscopia e Ressonância Magnética (RM). A US destaca-se como método de imagem não invasivo, inócuo, de baixo custo e com elevada sensibilidade e especificidade.Os exames de imagem apresentam papel importante no diagnóstico e no estadiamento de pacientes com endometriose. Ao US a endometriose apresenta aspecto variável e em alguns casos de difícil diferenciação com outras patologias como neoplasias e cistos ovarianos. Sempre deve ser realizada por via transvaginal e abdominal, com especial atenção a ecogenicidade interna e morfologia da parede dos cistos.

Os cistos endometriais (endometriomas) são mais comuns nos ovários, bilaterais em até 50% e se apresentam classicamente como lesões focais bem delimitadas, hipoecogênicas, conteúdo flocoso fino com múltiplos ecos internos. Podem ser uni ou multiloculados, sendo estes últimos mais provavelmente múltiplos cistos agrupados. Podem ainda apresentar espessamento e/ou nódulos parietais, bem como focos hiperecogênicos dispostos na parede do cisto, sendo este último o achado parietal isolado mais característico do endometrioma. O estudo vascular com Doppler pode ajudar a diferenciar de tumores (possuem vascularização central e periférica), cistos de corpo lúteo hemorrágico (anel vascular periférico evidente) e endometriomas que são parcial e fracamente vascularizados em sua periferia. A Ressonância Magnética apresenta-se como método de imagem não invasivo mais sensível no diagnóstico e estadiamento da endometriose.

Os endometriomas apresentam na maioria das vezes, hipersinal homogêneo nas seqüências ponderadas em T1, com aumento da sensibilidade na detecção de lesões menores quando utilizadas seqüências ponderadas em T1 com supressão de gordura. As seqüências ponderadas em T2 apresentam sinal mais variado, tendo como grande importância uma perda de sinal no interior da lesão (“shading” sign). Esta perda de sinal que pode ser desde leve até ausência completa de sinal se relaciona à natureza crônica da lesão (múltiplos produtos derivados do sangue, decorrentes de múltiplos sangramentos cíclicos). A injeção de meio de contraste não parece alterar a avaliação dos endometriomas, notando-se realce periférico variável.

O diagnóstico de pequenos implantes através da RM ainda permanece difícil, pois os mesmos podem apresentar sinal variável como o endométrio ( hipo em T1 e hiper em T2), hipointenso ou hiperinteso em todas as seqüências, com realce variável após a infusão de meio de contraste.

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Dra. Eveline Skaf Kalaf
Médica Especialista em Mamografia e Ultra-sonografia da Radiologia Clínica de Campinas - RCC