Qual
a Importância da Ressonância Magnética para descobrir
Lesões na Mama?
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA MAMÁRIA
Atualmente a mamografia é a principal modalidade de imagem
para detecção de neoplasia maligna da mama. No entanto
existem limitações deste método, principalmente
em pacientes com mamas densas e em pacientes com mamas operadas,
irradiadas, ou com inserção de implantes (ou próteses).
Nestas condições a ultra-sonografia e a ressonância
magnética mamária constituem métodos complementares
importantes.
Nas últimas duas décadas, a ressonância magnética
mamária teve excepcional aprimoramento técnico através
da introdução de contrastes paramagnéticos,
avanços nas bobinas de superfície, novos protocolos
de realização de exames e aparelhos de alto campo.
Para o diagnóstico mamário é utilizada de
duas formas: com e sem contraste.
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA MAMÁRIA SEM CONTRASTE
Tem indicação específica, com elevada sensibilidade,
para avaliação complementar de implantes mamários
e suas complicações.
O procedimento é explicado para a paciente, sendo a mesma
informada de que não haverá necessidade de injeção
de contraste. O exame é realizado em decúbito ventral,
minimizando os artefatos de respiração, com melhor
qualidade de imagem. O radiologista estabelecerá correlação
com história clínica (questionário específico
deve ser previamente preenchido), exames de imagem realizados,
tipo de implante utilizado, implantes prévios e sintomatologia
atual.
Os tipos de implantes mais freqüentemente utilizados são
constituídos por bolsa ovalada com cápsula de silicone
contendo silicone líquido (viscoso) no seu interior. Os
implantes não são totalmente preenchidas por silicone
formando superfície redundante com ondulações,
que são identificadas no exame por ressonância como
dobras radiais correspondendo a fenômenos normais de acomodação.
Habitualmente fina de cápsula de tecido fibroso com 1 a
2 mm de espessura envolve o implante; mínimo líquido
reacional pode se alojar abaixo desta cápsula, sem maiores
conseqüências.
Os implantes podem ser inseridas em topografia subglandular pré-peitoral
ou retropeitoral
As complicações mais freqüentes com o uso de
implantes, são: coleções líquidas
inflamatórias ou pós-traumáticas, migração
do implante, contratura capsular e rupturas intra ou extracapsulares.Podem
estar associadas a fenômenos clínicos variáveis:
dor, sensação de pêso mamário, infecção,
assimetria e nódulos palpáveis.
Graças a sua capacidade tomográfica, com cortes
em vários planos e a possibilidade de estudo do espaço
retromamário, os implantes podem ser totalmente visualizados
pela ressonância magnética, com fácil identificação
de eventuais complicações.
RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA MAMÁRIA COM CONTRASTE
É utilizada de forma complementar na detecção,
avaliação e estadiamento do carcinoma de mama.
Com o uso de contraste paramagnético, gadolíneo,
que é praticamente desprovido de efeitos colaterais, associa-se
a capacidade tomográfica da ressonância com a possibilidade
de avaliação da vascularização tumoral,
proporcionando assim alta sensibilidade para diagnóstico
de câncer invasor, sendo esta uma de suas grandes vantagens,
com percentual de até 100% na detecção de
tumores malignos.
No entanto a especificidade do método, varia de acordo
com vários autores, de 40 a 70%.
Os aparelhos utilizados para este tipo de exame são de
1,5 Tesla (alto campo), bobinas especiais para estudo mamário
são fundamentais e vão proporcionar alta resolução
com detalhe espacial e capacidade de informação
temporal para verificar a intensidade de captação
do contraste nas lesões tumorais. De um modo geral, em
serviços com boa experiência, o exame dura em torno
de 15 minutos.
O estudo mamário é bilateral e são realizadas,
após injeção do contraste, em torno de 5
seqüências de um minuto. São 144 cortes de 1mm
para cada seqüência, a técnica utilizada é
denominada de gradiente echo, com aquisição volumétrica,
sem espaçamentos; a análise complementar é
feita em monitores de alta resolução. O detalhe
de imagem é muito elevado com precisa correlação
anatômica e topografia de lesão. A documentação
é feita em filmes especiais, com reconstrução
em vários planos e apresentação 3D.
A ressonância magnética mamária não
detecta microcalcificações e não deve ser
utilizada em pacientes jovens devido a sua moderada especificidade
neste grupo etário.
A grande maioria dos tumores malignos da mama, apresenta rápida,
precoce e heterogênea captação de contraste.
Os tumores benignos costumam apresentar captação
mais lenta e gradual do contraste. A computação
avançada possibilita avaliação gráfica,
com visualização do comportamento da lesão.
Na análise do exame de ressonância mamária
com contraste, devemos levar em conta: história clínica,
exames de imagem, fatores técnicos e padrão sistematizado
de interpretação.
Este método proporciona informações adicionais
nos seguintes casos: diferenciação de assimetrias,
exclusão de malignidade em massas palpáveis, pesquisa
de extensão tumoral e multifocalidade, lesões próximas
a parede torácica em pacientes com implante de silicone,
paciente com linfonodo axilar comprometido e suspeita de tumor
mamário mas com mamografia e ultra-sonografia mamária
normais, alto risco familiar e rastreamento genético
positivo, diferenciação entre cicatriz e recidiva
tumoral e resolução de estudos mamográficos
difíceis.A RM é também muito útil
na pesquisa de carcinoma bilateral que pode não ser identificado
por outros métodos.
Na atualidade, a RM com contraste não tem indicação
para estudos de rastreamento e deve ser considerada como método
complementar a mamografia e ultra-sonografia.
Dr. José
Michel Kalaf
Diretor - Radiologia Clínica de Campinas
Coordenador do Curso de Mama da Sociedade Paulista de Radiologia