Mamografia – Para Onde Vamos?

Imprensa divulga, crítica, o emocional se exalta e o veredicto se forma, a Mamografia está falhando em detectar câncer de mama.

Erros diagnósticos foram amplamente divulgados e a forma de apresentação da matéria, trás uma conotação de imperícia, desconhecimento e inoperância técnica generalizada.
Mais uma vêz, sem chance de defesa, a impressão marcante é de que a Mamografia foi para o fundo do poço.

Mas, pouco foi descrito a respeito do exaustivo, permanente e consistente trabalho desenvolvido por nossas entidades científicas: Colégio Brasileiro de Radiologia, Sociedade Brasileira de Mastologia e Febrasgo, com divulgação metodológica de ensino continuado, com efeito multiplicador pelas Universidades, pelo Depto. de Oncologia da AMB, corroborado por todas as filiadas estaduais de radiologia, em âmbito Nacional; nunca se ensinou tanto e com tanta intensidade um tópico médico como a Mamografia e nunca se aprendeu tanto como nos momentos atuais, com tanta intensidade e motivação.

A Comissão de Mamografia do CBR, com pioneirismo inédito na América Latina, graças a visão e ousadia de Dr. Hilton Koch, trabalhando em conjunto com renomados especialistas brasileiros em radiologia mamária, foi possível estabelecer há mais de 15 anos, um programa de qualificação dos serviços de Mamografia, com regras básicas de excelência; o trabalho é consistente, atualizado, tem merecido repercussão em âmbito internacional inclusive do próprio RSNA e vai ser copiado por outros países Sulamericanos; este é o nosso trunfo, qualificação como meta principal, única e permanente; e esta a motivação para que todos os serviços de Mamografia do País se enquadrem nas normas operacionais propostas, inclusive os gerenciados pelas entidades governamentais, seguindo o exemplo das entidades privadas, que a duras penas conseguem manter nível técnico elevado.

A Comissão de Mamografia deu a partida e hoje temos qualificações similares no CBR para U-Som, CT e RM; graças ao trabalho de abnegados; é um orgulho poder contar com estes certificados.

Nos países onde a Mamografia de rastreamento foi implantada para a população acima da quarta década, houve marcante redução da mortalidade e da morbidade por neoplasia maligna da mama. Temos que manter o método qualificado e em plena execução operacional.

Vamos divulgar nossa atuação, nosso trabalho com dedicação, e o resultado da satisfação do dever cumprido, os serviços de saúde podem muito bem copiar a atuação gerencial da Unimed de Campinas, que orienta com precisão a necessidade do rastreamento mamográfico para o grupo etário que pode se beneficiar deste método diagnóstico.

É preciso divulgar com a necessária precisão; o câncer de mama, tem ampla variedade de apresentação, com formas histológicas e subtipos às vezes com dificuldades até para o patologista classificar, e assim, como outras neoplasias malignas, existe há milhares de anos. A Mamografia é recente, como técnica de alta resolução há duas décadas somente, e tem suas limitações, principalmente em pacientes com mamas densas, e isto que já é do nosso conhecimento, precisa ser divulgado e explicado a todo momento, para que injustiças e mal juízo não se cometam e não se interpretem como “erros médicos”, motivação pecuniária única e exclusiva, exigências de reparos financeiros descabidos e suficiente para início de processos; quem vai entender em juízo que “o carcinoma lobular pode infiltrar a mama sem evidencia mamográfica” ou que “os informes de imagem podem caracterizar lesões ou serem inespecíficos”, especialistas das partes se degladiando e o radiologista murchando em penúria moral e financeira; como os jurados vão interpretar que microcalcificações indeterminadas precisam de seguimento e que microcalcificações tumorais não refletem os limites geográficos da doença maligna.

A Mamografia não cura e nem previne o câncer de mama, mas é o método de melhor conhecimento e reprodutibilidade sistemática que permite em âmbito mundial o diagnóstico precoce da doença, e é justamente o diagnóstico precoce que possibilita uma maior sobrevida. E é a busca incessante pela qualidade operacional do método, que é a motivação permanente dos radiologistas brasileiros.

Vamos continuar nosso aprimoramento técnico, com integração multidisciplinar: história clínica – exame físico – exames de imagem e correlação patológica: vamos dar ênfase especial a resolutividade, utilizar Mamografia, complementar quando necessário com U-Som, Ressonância Magnética e biópsia percutânea em casos selecionados; Imaginologia Mamária com força total, compreensiva, dedicada e ponderada, a serviço da mulher brasileira.



Dr. José Michel Kalaf
Membro da Comissão de Mamografia do CBR
Membro da Coordenação do Curso de Mama da Soc. Paulista de Radiologia.
Diretor da Radiologia Clínica de Campinas.