Valor da Área / Diâmetro da Veia Poplítea na Insuficiência Venosa Crônica (IVC). Estudo Com Us-Duplex

Silveira, SAF; Potério-Filho, J & Potério, GMB
Disciplina de Cirurgia Vascular UNICAMP

INTRODUÇÃO:
A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma entidade onde ocorre hipertensão venosa que se manifesta com edema, dermatoesclerose e/ou úlcera. O tratamento da IVC requer conhecimento da hemodinâmica da veia poplítea, uma vez que a competência de suas válvulas é importante para reduzir a pressão venosa da perna(1). A competência das válvulas dependem:

  • Integridade das cúspides
  • Estrutura da parede da veia
  • Diâmetro da veia

O diâmetro da veia poplítea normal já foi previamente publicado(3), entretanto é fundamental a determinação do diâmetro da veia poplítea nos indivíduos com insuficiência venosa para se conhecer a relação diâmetro-refluxo.

OBJETIVOS:
Determinar os valores dos diâmetros das veias poplíteas com US-Duplex em indivíduos sem varizes, com varizes e com insuficiência de veia poplítea nos membros inferiores.

METODOLOGIA:

  • Posição ortostática temperatura ambiente- 23 a 24° C
  • ALOKA 2000 transdutor linear de 7,5 MhZ
  • Diâmetro da veia poplítea foi obtido na imagem bi-dimensional na secção transversal na altura da prega do joelho
  • Refluxo na veia poplítea foi definido como fluxo reverso com duração maior que 0,5 seg com manobra de compressão manual.


Figura 1 -
Estudo com Doppler pulsado da veia poplítea
que mostra fluxo reverso com duração > 0,5 seg.


Figura 2 -
Imagem bi-dimensional da veia poplitea
em secção transversal e diâmetro igual a 1,08 cm.

Na primeira fase do trabalho foram obtidas as áreas das veias poplíteas em indivíduos com e sem varizes.

Na segunda fase foram estudados os diâmetros das veias poplíteas em três grupos distintos: Sem varizes, com varizes e com insuficiência da veia poplítea.

CASUÍSTICA:
1ª Fase:
Grupo sem varizes: 26 pernas - 31(20-59) anos
Grupo com varizes: 19 pernas - 36 (15-75) anos

2ª Fase:
Grupo sem varizes: 14 pacientes (12F e 2M); 12MID 13 MIE - 38,4 ( 23-57 ) anos
Grupo com varizes: 53 pacientes ( 45F e 8M ); 46MID 38MIE - 48,8 ( 74-20 ) anos
Grupo com insuficiência de veia poplítea:
Sem antecedentes de trombose e/ou sinais de trombose ao exame com US-Duplex
20 pacientes ( 9F e 11M ); 11MID 13MIE - 50 ( 23-70 ) anos

RESULTADOS:
1ª Fase: Tabela com os valores das áreas - estudo estatístico.



Teste de Diferença de Médias entre grupos
Normais e Varicosos (Wilcoxon)

A Tabela acima mostra que existem evidências estatisticamente significantes de diferença entre as médias dos grupos Normais e Varicosos, em todas as variáveis, exceto no volume da perna.

2ª Fase:
Tabela com os valores dos Diâmetros - estudo estatístico.



Intervalos de confiança - Teste de Tukey



Teste de Tukey


DISCUSSÃO:
Inicialmente o estudo foi realizado utilizando-se a área da veia poplítea, entretanto, observou-se que erros na medida da veia seriam magnificados, uma vez que área é igual a pr², então optou-se pela medida do diâmetro. As maiores medidas de área encontradas foram em 4 pernas que apresentavam varizes e insuficiência de veia poplítea. Esse achado nos motivou a estudar separadamente o grupo com insuficiência de veia poplítea. Os achados da segunda fase ratificaram os encontrados na primeira e determinou-se que a diferença entre o diâmetro da veia poplítea em indivíduos normais e com insuficiência da veia poplítea é de 0,17 cm. O valor dessa diferença pode estar no fato de que se as varizes forem removidas e houver redução do diâmetro da veia poplítea, esta poderá tornar-se competente?

CONCLUSÃO:
Existem evidências estatísticas de diferença no diâmetro da veia poplítea entre:

  • O grupo normal e o grupo de varicosos com refluxo da veia poplítea.
  • O grupo de varicosos com refluxo da veia poplítea e o grupo de varicosos sem refluxo da veia poplítea

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
1 – SHULL, KC; NICOLAIDES,NA; FERNANDES,E ET AL- Significance of popliteal reflux in relation to ambulatory venous pressure and ulceration Arch.Surg,114:1304-6, 1979.
2- ANDERSON,J; TRUIN,A & THULESIUS,O- Valvular function of peripheral veins after hyperemic dilation J Vasc Surg,23:611-5 1996
3- HENNERICI, M. & NEUERBURG-HEUSLER- Vascular Diagnosis with Ultrasound. New York, Thieme,1998.p.200.
4- SANDRI,JL.;BARROS,FS.; PONTES,S.; JACQUES,C.;SALLE-CUNHA,SX.- Diameter-reflux relationship in perforating veins of patients with veins. J Vasc Surg 30(5): 867-74,1996.
5- BEMMELEN,P.S.van; BEACH,K; BEDFORD,G.; STRANDNESS,D.E.,JR- The mechanism of venous valve closure. Arch.surg,125:617-9,1990a.
6-LURIE,F.;KISTNER,RL.;EKLOF,B.;-The mechanism of venous valve closure in normal physiologic conditions. J Vasc Surg,35 : 713-717,2002.
7- LABROPOLOUS, N.; GIANNOUKAS,D.; NICOLAIDES, A. N.; VELLER, M.; LEON, M.; VOLTEAS, N.- The role of venous reflux and calf muscle pump function in nontrombotic Chronic venous insufficiency. Arch Surg,131:403-406,1996.



Dra. Sandra A. F. Silveira
Médica da Radiologia Clínica de Campinas