Métodos
de Imagem na Avaliação dos Tumores Renais
Introdução:
Os tumores renais podem ser classificados em primários
ou secundários (metastáticos), em benignos ou malignos.
Os tumores renais secundários não são raros,
porém eles fazem parte de um quadro mais abrangente em
que a abordagem principal está voltada para o tumor primário,
ficando o trato urinário em um plano secundário.
Dentre estes tumores, os que mais freqüentemente acometem
os rins são os linfomas e as metástases dos seguintes
órgãos: pulmão, pele (melanoma), mama, estômago,
cólon e pâncreas. Os tumores benignos freqüentemente
são muito pequenos e não se manifestam clinicamente.
Geralmente são diagnosticados incidentalmente em peças
cirúrgicas de nefrectomia realizadas por outros motivos
ou em autópsias.
Dentre os tumores renais benignos, os mais importantes são
os adenomas renais, os oncocitomas e os angiomiolipomas.
O tumor renal maligno representa cerca de 3% de todos os cânceres
dos seres humanos, e sua maior importância reside na possibilidade
de cura quando diagnosticado em fases precoces.
Tumores
Renais Benignos:
Adenoma
renal - É um tumor originário do túbulo
contornado proximal muito semelhante ao adenocarcinoma e se caracteriza
pela ausência de metástases e pelo tamanho, geralmente
menor que 3 cm. Este tumor é mais freqüentemente detectado
em peças de cirurgia ou de necropsia, com uma incidência
que varia entre 7% e 23% das autópsias em adultos. Não
há critérios histológicos, histoquímicos
ou de microscopia eletrônica que diferenciem, com segurança,
o adenoma do adenocarcinoma.
Oncocitoma
- É um tumor benigno variante do adenoma, composto
de células chamadas de oncócitos e que pode se originar
em outros órgãos como a tireóide, a paratireóide
e a adrenal. O oncocitoma é radiologicamente parecido com
o adenocarcinoma renal: possui uma cápsula bem definida,
não apresenta hemorragia e tem coloração
marrom, diferenciando-se do adenocarcinoma, que tem cor amarelada.
Alguns autores acreditam que o oncocitoma seja a versão
benigna do carcinoma renal. Este tumor, apesar de ser considerado
benigno, dependendo do seu tamanho pode causar infiltração
da fáscia de Gerota e até mesmo metástases
a distância geralmente são tratados como malignos
e o diagnóstico é realizado com o exame histopatológico.
Angiomiolipoma - É um tumor benigno encontrado
com freqüência nos pacientes portadores de esclerose
tuberosa. Esse tumor também pode ser encontrado em indivíduos
não-portadores desta síndrome. Estes tumores são
geralmente múltiplos e bilaterais, seu tamanho varia, podendo
ultrapassar os 20 cm de diâmetro. O diagnóstico pode
ser realizado através dos exames complementares; como o
tumor é formado por vasos, músculo e gordura, seu
aspecto é característico ao ultrasom, no qual aparece
como massa hiperecogênica.
Na tomografia computadorizada podemos medir a densidade do tumor
que se apresenta negativa, pois o angiomiolipoma tem o tecido
gorduroso como um dos seus principais componentes.
Nefroma
cístico multilocular - Caracteriza-se por uma
massa renal formada por múltiplos cistos não-comunicantes.
Geralmente são maiores que 10 cm e podem acometer crianças
e adultos, predominando, neste último caso, no sexo feminino.
Neoplasia
justaglomerular - É um tumor que produz renina,
sendo uma das raras causas de hipertensão arterial curável
por cirurgia.
Fibromas
- São tumores benignos da medula renal.
Tumores
Renais Malignos:
Os tumores
renais primários malignos estão divididos da seguinte
forma: 86% carcinoma de células renais, 12% tumor de Wilms
e 2% sarcomas de células renais.
Carcinoma
de células renais (CCR) - também chamado
de adenocarcinoma renal, hipernefroma, carcinoma de células
claras ou tumor de Grawitz, é o tumor renal maligno mais
freqüente. Este tumor ocorre com mais freqüência
em certas áreas, como na Escandinávia e mais raramente
no Japão. O Brasil e os Estados Unidos são países
com incidência mediana do CCR. A faixa etária de
maior incidência é entre a quinta e a sétima
década de vida. Os homens são mais acometidos, numa
proporção de 2:10. É usualmente um tumor
unilateral, sem predileção por um determinado lado
ou local dos rins.
Sintomas:
O
sintoma mais comum é a hematúria micro ou macroscópica
que ocorre em 60% dos pacientes. A tríade clássica
de hematúria, dor abdominal ou no flanco e massa palpável
está presente em menos de 10% dos pacientes, sendo mais
freqüente nos casos de doença avançada.
A dor óssea pode estar presente nos casos de metástases
para o esqueleto e a dispnéia e a tosse nos casos de acometimento
pulmonar.
A varicocele aguda pode ser um sinal de tumor renal avançado;
nesses casos suspeitamos de envolvimento da veia renal ou cava.
As síndromes paraneoplásicas podem estar presentes
em um terço dos pacientes e se manifestam como eritrocitose,
hipercalcemia, hipertensão arterial, febre, anemia e alteração
da função hepática. Estas alterações
são reversíveis com a retirada do tumor. No entanto,
se as manifestações da síndrome paraneoplásica
permanecerem no pós-operatório ou aparecerem tardiamente,
devemos suspeitar de doença metastática.
Atualmente, com o desenvolvimento dos métodos de imagem,
uma grande parte dos tumores renais (cerca de 30%) são
achados incidentalmente, através de exames ultra-sonográficos
ou de tomografias computadorizadas realizadas para diagnosticar
outras doenças.
Diagnóstico:
Devido à grande variedade dos sintomas, a inespecificidade
dos exames laboratoriais e as características bem definidas
dos tumores renais evidenciadas pelos métodos de imagem,
o diagnóstico desta doença é principalmente
radiológico.
A urografia excretora permite visualizar a deformação
da arquitetura renal causada pelas massas, bem como a presença
de calcificações sobre a imagem renal.
A ultra-sonografia é o principal exame na investigação
de massas renais, pois o seu baixo custo, sua simplicidade na
realização e o seu alto grau de sensibilidade e
especificidade na diferenciação entre cisto renal
e massa sólida fizeram do ultrasom o exame de escolha para
avaliação inicial destes pacientes.
A tomografia computadorizada (CT) é o exame mais sensível
e específico para avaliar massas renais e deve ser realizada
para estadiar massas sólidas ou nos casos em que o ultrasom
não foi capaz de diferenciar entre tumor benigno ou maligno.
A medida da densidade pela CT pode ajudar a identificar conteúdo
líquido ou sólido do tumor e a presença de
gordura nos casos de angiomiolipoma. A CT também ajuda
no estudo do tamanho, localização e envolvimento
de órgãos vizinhos. Através deste exame podemos
suspeitar de trombo tumoral na veia renal ou cava, presença
de linfonodos acometidos e envolvimento de estruturas vizinhas
como a supra-renal e o retroperitôneo.
Quando há suspeita de envolvimento da veia renal ou da
veia cava, a ultra-sonografia, a ressonância nuclear magnética
(RNM) ou até mesmo a cavografia podem ser realizadas para
melhor estadiamento e planejamento da cirurgia.
A arteriografia renal é importante nos casos em que se
planeja a realização de nefrectomias parciais ou
embolização tumoral.
A CT helicoidal e o ultra-som com Doppler colorido podem ser uma
importante evolução na avaliação dos
tumores renais
Fonte: Tumores
Renais - Guia prático de urologia (capítulo 28)
Dra. Adriana
Cristina Correa
Médica da Radiologia Clínica de Campinas
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