Padrões
Mamográficos e Densidade Mamária
Considerações:
Mamas densas reduzem a sensibilidade da Mamografia; sabe-se também
que dentre entre outros fatores de risco, o padrão do parênquima
mamário está intimamente relacionado ao baixo e
alto risco para o desenvolvimento de neoplasia maligna da mama.
A substituição do parênquima mamário
por tecido adiposo é um processo gradativo e está
diretamente associado com a faixa etária, gestações/paridade
e menopausa. Porém, não existe uma correlação
perfeita entre a faixa etária e a lipossubstituição,
sendo comum encontrarmos mamas densas em mulheres idosas com pouca
ou nenhuma substituição e mamas predominantemente
adiposas em mulheres jovens.
Padrões de menor densidade mamária estão
relacionados além da idade mais avançada, a multiparidade,
maior índice de massa corporal e uso de Tamoxifeno. A maior
densidade mamária é observada na faixa etária
mais baixa, alguns tipos de terapia de reposição
hormonal, fatores alimentares (ainda não estão bem
definidos) e nuliparidade.
Nota-se ainda, que uma parte das mulheres não vai ter seu
padrão de densidade mamária muito alterado durante
toda a vida, mantendo proeminência das densidades nodulares
e lineares (explicadas a seguir) com o passar dos anos, sendo
assim consideradas de maior risco para o câncer de mama.
De acordo com o consenso estabelecido pelo “Breast Imaging
Reporting and Data System” (BIRADS) o grau de substituição
foi adotado para descrever o padrão mamográfico,
utilizando-se as seguintes expressões:
-
Mamas
adiposas (100% substituídas).
-
Mamas predominantemente adiposas ( substituição
maior que 50%).
-
Mamas parcialmente substituídas mas com predomínio
do tecido denso (substituição menor que 50%).
-
Mamas densas (0% substituídas).
.
Padrões
Mamográficos:
Wolfe:
( de forma pioneira) em 1976, descreveu a densidade mamária
de acordo com a substituição adiposa e a proeminência
dos ductos, em 4 categorias:
-
N1 – parênquima composto basicamente
por gordura, sem ductos visíveis;
-
P1 – parênquima composto principalmente
por gordura, com ductos proeminentes na porção
anterior, ocupando até ¼ do volume da mama;
-
P2 – padrão ductal proeminente
ocupando mais de ¼ do volume da mama;
-
DY – parênquima denso, obscurecendo
um padrão ductal proeminente.
-
Portanto, N1 e P1 baixo risco; P2 e NY alto risco.
-
Tabár
- propôs uma modificação para esta classificação,
dividindo em 5 categorias de acordo com a correlação
anatômica-mamográfica:
-
Padrão I – parênquima com
lipossubstituição parcial e distribuição
equilibrada das densidades nodulares, lineares e áreas
radioluscentes;
-
Padrão II – parênquima com
dominância adiposa, apresentando apenas densidades lineares
(processo final de involução);
-
Padrão III – dominância
adiposa, porém com proeminência dos ductos retroareolares;
-
Padrão IV – parênquima com
proeminência de densidades nodulares e lineares;
-
Padrão V – parênquima com
dominância do tecido fibroglandular, de aspecto heterogêneo
e de contornos convexos
Conclusões:
As possibilidades e as limitações de cada método,
chamam a atenção para a necessidade do diagnóstico
mamário ser sempre multidisciplinar, correlação
da clínica com os exames de imagem e resultados da patologia.
O minucioso e extensivo trabalho, recentemente publicado, Digital
Imaging Mammographic Screening Trial, conduzido pelo American
College of Radiology, analisando os exames de quase 50.000 mulheres,
conferem a Mamografia Digital uma melhor capacidade diagnóstica
em relação a Mamografia Convencional (analógica),
no estudo de pacientes com mamas densas.
Mamas densas, tipos P2 e DY de Wolfe e padrões IV e V segundo
Tabár, são analisadas mais precisamente pela Mamografia
Digital de Campo Total, esta é a experiência que
adquirimos também, com o uso deste equipamento nos últimos
4 anos, em nosso serviço
Dra. Eveline
Skaf Kalaf
Médica especialista em Mamografia e Ultra-sonografia da
Radiologia Clínica de Campinas
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