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Tumores Ósseos – Benigno Ou Maligno?

 

O termo Tumor Ósseo abrange uma ampla categoria de lesões , assim como neoplasia benignas, malignas, anormalidades focais reativas, anormalidades metabólicas, e outras lesões que mimetizam condições tumorais.

Existem alguns parâmetros que podem nos orientar em relação a baixa ou alta agressividade da lesão, lembrando-se sempre que o diagnóstico de lesão benigna ou maligna, assim como o tipo histológico, deverá ser considerado determinante, após biópsia, se necessário.

São eles: idade do paciente , localização da lesão, as margens do processo, tipo de reação periosteal, áreas internas de opacificação assim como focos de mineralização, tamanho e número das lesões, o envolvimento ou não da cortical , e a presença ou ausência de tecidos moles associados.

Entre estes caracteres, a maior atenção deverá ser dada à localização e faixa etária da lesão óssea.

Em relação a faixa etária:

< 20 anos :

Benignas : Defeito fibroso cortical, fibroma não ossificante, cisto ósseo simples, cisto ósseo aneurismático, condroblastoma, histiocitose de células de Langerhans, osteoblastoma, osteoma osteóide, displasia osteofibrosa, fibroma condromixóide, displasia fibrosa e encondroma.

Malignas: Leucemia, Sarcoma de Ewing, osteosarcoma ( convencional, periosteal, teleangiectasico), doença metastática, neuroblastoma, retinoblastoma, rabdomiosarcoma, linfoma de Hodgkin.

20 aos 40 anos :

Benignas : Encondroma, tumor de células gigantes, osteoblastoma, osteoma osteóide, fibroma condromixóide, displasia fibrosa.

Malignas: Osteosarcoma ( parosteal), adamantinoma.

> 40 anos :

Benignas: Displasia fibrosa, doença de Paget, linfoma não Hodgkin, condrosarcoma, histiocitoma fibroso maligno, osteosarcoma ( secundário a doença de Paget e radiação).

Malignas : Doença Metastática ( mais comum) e Mieloma.

Localização:

A maioria dos tumores, independentemente de serem benignos ou malignos, freqüentemente ocorrem em uma determinada localização do esqueleto. Assim, alguns tumores, ( ex. osteosarcoma), tem uma predileção por áreas de crescimento rápido, enquanto que outros ( ex. Sarcoma de Ewing), tendem a seguir a distribuição da medula vermelha.

Margens:

O contorno ( margem ) da lesão, assim como a zona de transição entre a área acometida e o tecido ósseo adjacente, podem ser considerados fatores “chaves” na determinação do padrão de agressividade da mesma, bem como a presença ou ausência do bordo esclerótico, seja ele bem definido ou não.

Reação periosteal:

A presença de reação periosteal, assim como sua característica ( seja ela unilamelar, multilamelar, espiculada, em raios de sol…) podem determinar o grau de agressividade.

Embora o triângulo de Codman ( elevação do periósteo a partir da cortical) seja freqüentemente associado ao Osteosarcoma convencional, qualquer processo agressivo que levante o periósteo pode produzir a mesma aparência, até mesmo em situações benignas como infecção e hematoma subperiosteal.

Opacidades e mineralização:

Os tumores podem ser líticos, escleróticos ou mistos, e o tipo de opacidades e mineralizações internas ( com padrão punctato, em forma de arco, de vírgula, moteado, amorfo, em nuvem…), podem orientar para o um leque mais estreito de possibilidades.

 

Tamanho e número das lesões:

O tamanho da lesão também pode, por vezes, auxiliar no direcionamento da hipótese, assim como se sabe, por exemplo, que o osteoma osteóide e o osteoblastoma são lesões histologicamente idênticas, mas diferem apenas no tamanho. Enquanto o nidus do Osteoma não deve medir mais de 1,5 cm, o do osteoblastoma é maior que 1,5 cm.

Assim como lesões múltiplas, nos orientam na possibilidade de lesão metastática, mieloma múltiplo ou linfoma não Hodgkin.

Envolvimento da cortical:

O escalonamento endosteal, assim como a presença ou não de áreas de abaulamento, erosão e ruptura corticais, auxiliam na diferenciação do padrão de agressividade.

Componente de partes moles:

A presença de componente de partes moles, sugere um processo maligno, e pode, em algumas vezes, ser decorrentes de permeação de tecido infiltratico, por ruptura/infiltração através dos canais de Haver.

Importante:

Enquanto que as radiografias nos possibilitam o diagnóstico da lesão, por vezes, os exames como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética são necessários para oferecer informações adicionais, como a visibilidade nos múltiplos planos, e o realce dos componentes de tecidos moles, se estiver presente. A Tomografia ainda é útil na avalição da mineralização em uma lesão lítica, assim como destruição óssea oculta ao Rx. A Ressonância Magnética torna-se então, o estudo padrão para avaliar a extensão local da lesão, o estadiamento e a resposta à quimioterapia.

Radiology . Volume 246. Numero 3 – Março de 2008

Dra. Mara P. Moreira

Departamento Músculo Esquelético da RCC – Unidade I

 

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